sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Incômodo.

O que me incomoda é a esperança sem iniciativa dos que são injustiçados – apenas à espera, a assistir como plateia seu próprio melodrama;
O que me incomoda é a proibição do que é belo, a anulação dos amores e legalização do que é imoral;
O que me incomoda é o silêncio dos heróis e o discurso convincente dos vilões;
O que me incomoda é observar os que choram, por não receberem rosas vermelhas, ignorarem quem traz, singelamente, perfumadas rosas brancas...
Muito me incomoda quem acha que está tudo errado, quem em nada vê graça e acredita apenas no seu espelho como modelo de completo, de perfeito, de inatingível sensação de ser único e inigualável...
Não quero apenas paz, não quero acomodação, não quero as palavras repetidas que não sabem mais o que querem dizer - o que busco é sentido.
Gosto do incômodo que me não me deixa quieto, gosto do som da tua voz, mesmo que venha de longe... é o gosto doce que gosto, como o cafuné tolo, despretencioso que acerta a hora da chegada; como o alvo que te encobre o corpo e contrasta com o negro escuro dos teus olhos...
O que me incomoda é não te ter por perto, é não saber ao certo o que é real e o que é ilusão.
(M. Ponciano)


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